Coisas que não faço mais

No nosso comportamento têm coisas que fazemos que podem nos trazer amargos arrependimentos.
Sobre isto vou fazer uma série de comentários com o objetivo de ajudar as pessoas a não cometerem erros que já cometi ou que outros cometeram, por pura falta de informação.
Sei que você já leu coisas semelhantes mas acho que nunca é demais falar sobre isto porque, se fosse, eles aconteceriam pouco. Esta é a minha perplexidade.
O primeiro deles é:- 'NO TRÂNSITO, NÃO TENHA OPONENTES".
O que quero dizer com isto? Quero dizer que às vezes nos consideramos como únicos quando estamos ao volante. São os outros que nos fecham! São os outros que não nos dão passagem quando estamos com pressa! São os outros que buzinam sem necessidade! São apenas os outros que, no trânsito, cometem erros ao volante ou fora dele. Não é bem assim. Nós cometemos erros também e o maior é pensar que errar é exclusividade alheia e, pior, que merece ser repreendido com buzinas, palavrões, gestos obscenos, perseguições com luz alta na traseira enfim com uma série de provocações que podem gerar desentendimentos, brigas, confusões, acidentes e óbitos.
Sabemos de acontecimentos diversos onde tragédias começaram apenas porque uma pessoa mandou outra "prá pqp" por razões pífias mas deu azar porque o seu "agora oponente" era muito mais violento do que ela e levou a encrenca às últimas consequências. Desta forma a saída é entender que as pessoas podem errar quando estão dirigindo (da mesma maneira que você possa estar) e não fazer disto um cavalo de batalha. Deixe "prá lá" porque talvez um dia todos nós "deixaremos prá lá" e a coisa toda irá funcionar muito melhor. É claro que me refiro a erros banais de comportamento e não a desrespeito às leis de trânsito. Pessoas que avançam sinal, estacionam em fila dupla, forçam passagem e dirigem como alucinados têm que ser punidas, mas não cometa o erro de querer ser você quem irá puni-lo porque poderá estar arrumando uma encrenca sem precedentes da qual não terá controle. Use a lei. Denuncie o infrator sempre que possa. Sirva como testemunha em acidentes onde você tem certeza que o infrator é delinquente ao volante, não se omita para a lei. É a única maneira de tirarmos de circulação este tipo de gente.
Por exemplo, não crie problemas se o carro da frente vai devagar demais e impede que você não consiga ir na velocidade que pretende. Lembre-se que ele pode estar procurando um endereço e é muito difícil fazer isto ao volante. Quem já não procurou um endereço estando ao volante? Eu já, e sempre fiquei puto da cara quando a pessoa de trás buzinava. Quem já não ficou puto da cara quando o motorista da frente vai devagar, titubeia e não deixa que você passe e siga o seu caminho? Eu já e raramente percebi que no carro da frente ia uma pessoa à procura de um endereço ou não era da minha cidade e estava meio perdido. Quando eu descobria isto ficava envergonhado da minha impaciência mas já era tarde, o outro motorista já tinha uma ideia de como eu me comportava. Felizmente que nunca peguei pela frente alguém violento, disposto a me fazer entender pela força, que eu estava errado ou não, não importa.
Atualmente sigo algumas regras de comportamento que criei para mim mesmo, que acho que funcionam.
Regra 1 - Procuro usar todos os preceitos de direção defensiva que conheço. Acredite, eles funcionam. Procure se informar sobre o tema.;
Regra 2 - Jamais, em situação alguma e por mais certo que eu esteja, faço gestos obscenos, ou qualquer outra coisa, à outro motorista ou seja, não crio oponentes. Eu não lucriaria nada com isso;
Regra 3 - Habituei-me a usar as setas quando pretendo mudar de direção mesmo que me pareça algo idiota fazer isto. É necessário criar o costume. Uma das grandes causas de acidentes em trânsito é alguém, mudar de direção abruptamente, sem aviso;
Regra 4 - Se receber provocação não aceito. Envio um leve sorriso (não um sorriso de escárnio porque pode ser pior) ao provocador e, dependendo da situação, peço desculpas mesmo que ache que o outro estava errado. Mais tarde, se o outro for uma pessoa normal, irá entender porque sorri e se envergonhará do papelão que fez;
Regra 5 - Não presumo. Não penso que todas as mulheres dirigem mal. Não penso que todas as pessoas com mais idade também dirigem mal. Não penso que em todos os carros envenenados e, somente neles, existe um motorista inconsequente. Não acredito em chavões porque eles não existem ou não são tão genéricos;
Regra 6 - Sei que têm muitas mulheres que, pelo fato de serem mulheres, esperam que os homens no trânsito devam ser educados de forma especial com elas. Se você é mulher não pense assim porque para mim você é um motorista como outro qualquer portanto, se você julga que pode avançar ou mudar de faixa sem aviso esperando a gentileza alheia poderá criar sérios transtornos;
Regra 7 - Sei que têm muitos homens que são valentes no trânsito com todos mas, especialmente com mulheres. É pena porque um dia esta valentia lhes poderá custar caro. Ignoro-os solenemente;
Regra 8 - Dirija da maneira como você gostaria que os outros dirigissem. Essa, na realidade, deveria ser a única regra a adotar.

7 Responses so far.

  1. Que texto bom.

    Seu blog é muito bom.
    Bjs

  2. Obrigada pela visita!
    Não dirigimos mal, hoje, mesmo sem carta peguei o carro para estacionar para minha mãe: tudo tranquilo.

  3. Quando saímos de casa já pensamos nos "barbeiros" que encontraremos pelo caminho. Isso faz muito mal e torna o percurso estressante, mesmo se não houver trânsito parado. Suas dicas devem ser adotadas por muitos. Parabéns.

    Abraços

  4. Oi Jeferson!
    Seu texto foi uma lição para mim.
    Eu sou super calminha, mas quando pego o volante, me transformo na "Selvagem do Uno Prata"
    Fiquei muito envergonhada, porque dirijo muito bem, mas sempre acabo arrumando confusão no trânsito.
    Quando isso acontecer vou me lembrar do seu texto e tentar me controlar.
    Mil beijos e muita paz.

  5. Jeferson,
    Parabéns por tratar de um assunto tão atual com essa sobriedade,é tudo verdade,quando dirigimos,assumimos postura muitas vezes que não condizem com a nossa realidade,é um estress que muitas vezes provoca problemas,muito reflexivo.
    Um grande abraço,amigo.

  6. Jeferson, o trânsito é uma bela metáfora de como nos conduzimos na vida. O filósofo espanhol Savater diz que há duas atitudes frente às regras. Está aquele que não fura sinal para não ser multado (sujeito político) e aquele que não o faz porque não está certo (sujeito ético). O ideal seria que a gente andasse em direção à ética.
    Abs.

  7. Jeferson, um texto sensato, coerente, leve e útil que me prendeu do começo ao fim. Dá para aplicar na vida, de uma maneira geral. Muito bom o seu espaço. Muito bom! Um abraço!